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Tendências para o futura da Fisioterapia

Conheça as novas perspectivas para o futuro da fisioterapia

 

O campo da fisioterapia está se expandindo rapidamente. A Fisioterapia tem um futuro brilhante pela frente, com um leque crescente de áreas de atuação cada vez mais diversificadas e especializadas. O profissional de hoje pode trabalhar em uma clínica, reabilitar em um hospital ou em casa, assessorar esportes, ou até mesmo dar consultoria para empresas que querem melhorar a ergonomia no trabalho e evitar lesões entre seus funcionários. O futuro profissional é aquele que não para de aprender, buscando novos conhecimentos e ferramentas para solucionar e prevenir um número cada vez maior de problemas. Acreditamos que você não quer estar atrás do volante.

A fisioterapia está em franca ascensão. Com uma gama de áreas de atuação cada vez maior, mais diversificada e especializada, o futuro da fisioterapia é muito promissor. O profissional de hoje pode dedicar-se à clínica, à reabilitação em ambiente hospitalar e domiciliar, a assessorias esportivas e, até mesmo, à assessoria para empresas que queiram melhorar a ergonomia no trabalho e evitar lesões em seus funcionários. 

Além da procura por profissionais ter aumentado — somente em 2015, houve um aumento de 43% na procura por fisioterapeutas nos planos de saúde –, as demandas dos pacientes também se expandiram. Graças a uma maior conscientização e prática de atividades físicas, o fisioterapeuta passou a ser procurado não somente para o tratamento de lesões, mas para a prevenção delas. 

Hoje, os pacientes entendem que prevenir é tão importante quanto tratar e buscam nos profissionais da área alternativas para poder incorporar os novos hábitos em sua rotina de forma segura. Nesse contexto, a figura do fisioterapeuta deve atuar como guia e orientador. Para nos ajudar, a tecnologia está cada vez mais presente, fornecendo ferramentas indispensáveis para o cuidado integral de nossos pacientes.

Por isso, trouxemos alguns exemplos de tecnologias que são indispensáveis para você. Acompanhe!

 

Inovações tecnológicas para tratamento, diagnóstico e prevenção

Você conhece essas novas tecnologias? Já se perguntou se seu consultório está atualizado para essa nova realidade? O fisioterapeuta de sucesso do futuro precisa estar atento a essas novidades.

 

Biofeedback eletromiográfico

Esta nova tecnologia auxilia o paciente no fortalecimento e também na percepção muscular. Ela consiste em captar o sinal elétrico proveniente das fibras musculares durante a contração e transmitir este sinal ao software do programa. O sinal, então, com auxílio de recursos auditivos e sonoros, ajuda o paciente a melhor executar o exercício. Com isso, ele aprende a ter um controle maior de sua musculatura, isolar grupamentos musculares, quantificar as contrações e ajustar possíveis desequilíbrios. 

 

Eletromiografia de superfície

Monitora e registra a atividade elétrica do músculo durante uma contração. Antigamente, era usada para estudar a incidência de fadiga muscular, enquanto hoje serve também para avaliar a função do músculo, identificar a predominância das fibras musculares, entre outras funcionalidades. Ela nos fornece informações valiosas sobre tempo de contração e intensidade. A eletromiografia é muito indicada para avaliação de mudanças posturais, reabilitação do assoalho pélvico, mapeamento de movimentos biomecânicos, fatores relacionados a picos de esforço e à participação de grupamentos musculares específicos. 

 

Realidade virtual

Com a ajuda de equipamentos específicos — óculos de RV e sensores –, o paciente é submetido a diversos ambientes virtuais. Enquanto os óculos projetam as imagens com a ajuda de um aplicativo no Smartphone, o sensor de eletromiografia capta os sinais elétricos musculares do paciente e permite uma interação com o ambiente virtual através das contrações de determinado músculo.

Esses são só alguns exemplos do que a tecnologia pode fazer para tornar a experiência do paciente em nosso consultório a mais agradável possível. O futuro da fisioterapia está atrelado à tecnologia, e nós, da Miotec, sabemos disso. Por isso, oferecemos o que há de melhor em inovação, qualidade e segurança. Por que não aproveita e confere os produtos disponíveis?

O profissional do futuro é aquele que nunca deixa de inovar, buscar conhecimento e ferramentas novas para resolver e prevenir um número cada vez maior de problemas. Acreditamos que você não queira ficar pra trás.

Quer conhecer mais sobre as tecnologias que a Miotec pode oferecer para o seu consultório? Então clique aqui e baixe GRÁTIS o nosso e-book de tecnologia na fisioterapia!

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Como a fisioterapia contribui na redução das dores

Não é de hoje que os seres humanos vêm sofrendo e passando por diversas transformações não só na maneira de viver, mas também de executar os afazeres diários. E um problema muito comum, que tenho certeza que você já sentiu pelo menos uma vez na vida são as temidas dores

Por isso te pergunto nesse momento: você já parou para pensar de que forma essa sensação incômoda pode afetar e prejudicar o seu desempenho? Como se sabe, hoje existem inúmeras maneiras de melhorar e colocar um basta nesses desconfortos. 

Na maioria das vezes esse mecanismo acontece devido a alguma falha em nosso organismo e da forma que nos posicionamos em nosso dia a dia, diante de tarefas relacionadas a trabalho ou serviços domésticos. Neste momento aparecem os primeiros alertas de que algo não está funcionando de forma correta.

No passado, as pessoas pouco sofriam com esse tipo de situação e raramente ficavam doentes. Já nos dias de hoje vivemos em um ambiente recheado de problemas, levando os indivíduos a adoecerem com mais facilidade e muitas vezes acabam sendo reféns de si mesmo. 

Um dos problemas mais falados mundialmente é a chamada dor. Esta por si só pode ser iniciada de forma leve, e se não for dada a devida importância, o perigo pode estar próximo.

Mundialmente estima-se que 1,5 bilhão de pessoas sofram diariamente com dor crônica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 32% da população do planeta vivencia esse mal. 

Só no Brasil a projeção é que 60 milhões de cidadãos encaram algum tipo de dor, caracterizada por um incômodo que persiste e é recorrente por mais de três meses. 

Diante desse fato, pude notar que as dores só vêm aumentando nos últimos anos e este acúmulo é devido às grandes transformações rotineiras que estamos passamos, não só em relação ao nível pessoal, mas principalmente no trabalho, momento em que o estresse e a depressão são fatores primordiais para doenças mentais.

Baseado nesse cenário fatídico e crítico, vale ressaltar que os cuidados têm de ser prontamente avaliados e estudados para proporcionar a essas pessoas uma melhor qualidade de vida. 

Agora que você já sabe um pouquinho sobre esse mal, vamos entender o verdadeiro significado da dor para o nosso corpo? Então continue a leitura e descubra tudo o que você precisa saber sobre os diferentes tipos de desconforto!

Qual a importância do papel do Fisioterapeuta nas dores?

Além do médico dar o primeiro passo e chegar em um diagnóstico exato da sintomatologia apresentada pelo paciente, outro profissional mais adequado, preparado e capacitado para dar o pontapé inicial para esse tipo de situação é o fisioterapeuta.

Os profissionais da área têm o papel de realizar uma avaliação minuciosa para identificar a queixa exata do paciente e elaborar um protocolo de condutas específicas, traçando metas e objetivos para a redução do quadro clínico e fortalecimento da região em que o desconforto é apresentado. 

Por isso, o principal objetivo é impedir que a doença progrida e evitar novos incômodos. Além disso, é necessário que o fisioterapeuta oriente sobre a maneira correta para que os pacientes realizem suas atividades diárias sem causar nenhum tipo de desconforto ou compressão dos movimentos.

O que é dor e qual seu significado? 

dor é uma sensação complexa e varia muito de pessoa para pessoa. Nem sempre o que é dor para alguém é para outro. Portanto, trata-se de uma experiência única e completamente individual. Vale destacar que o momento que cada pessoa está passando e os sentimentos naquela ocasião podem aumentar ou diminuir os incômodos. 

Além disso, a dor é uma resposta de defesa do organismo, mas ela também pode funcionar de maneira errada ou exagerada, caracterizando uma doença: a dor crônica. Quando o cérebro interpreta que a dor não está sendo “resolvida”, ele fica ainda mais “sensível” aos estímulos, captando-os de forma intensa. 

De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor, essa reação pode ser definida como “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a um dano real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tal dano”. Isso quer dizer que a dor é uma sensação desagradável que indica risco para alguma parte do organismo.

Por que sentimos dores?

Para que você possa entender melhor sobre o porquê do ser humano sentir dor, é importante ressaltar que dor é de origem Central e Periférica, e é a responsável por gerar estímulos e nos alertar que a dor existe e que algo precisa ser “corrigido” imediatamente. 

As dores são sensações que se manifestam por meio de estímulos enviados pelos nervos ao cérebro e este, por sua vez, envia os estímulos ao córtex motor para que seja liberada alguma reação instantânea. Essa reação liberada pelo córtex motor é enviada para o local da dor por meio dos nervos. 

sensação de dor é determinada em uma pessoa a partir das vivências logo nos primeiros dias de vida, ou seja, a primeira lesão que estimulou seu organismo a reagir liberando tal sensação foi determinante para a percepção desse sentimento no corpo. Dessa forma, pode-se dizer que a dor é uma sensação subjetiva. 

Portanto, as dores estão relacionadas à percepção dos hábitos diários, longevidade, mudanças de ambiente, além de ser caracterizada por sua frequêncianaturezacausaslocalizaçãoduraçãoqualidade e intensidade

Os tratamentos da dor são inúmeros e tudo vai depender de seu estímulo gerador. Destacamos o uso de medicamentos para alívio do quadro álgico, fisioterapia (Termoterapia, Crioterapia, Massagens), Pilatesacupuntura, cinesioterapia e outros. 

Para prevenir algumas sensações desagradáveis, algumas práticas simples como aliviar as tensões do dia a dia, manter a postura correta, dormir bemfazer atividades físicas sem exagero e alongar o corpo quando se permanece muito tempo em uma só posição são determinantes para prolongar a qualidade de vida e o bem-estar.

Existem vários casos que estimulam nosso organismo a liberar reações dolorosas como: 

  • Nervosismo;
  • Ressaca; 
  • Postura incorreta;
  • Deitar ou sentar de mau jeito;
  • Exagerar nos exercícios físicos;
  • Permanecer por muito tempo em uma mesma posição;
  • Esforço repetitivo;
  • Estresse. 

dor patológica é definida como alterações dinâmicas no processamento da informação nociva, estando localizada no Sistema Nervoso Periférico e Central.

Como tratar as dores?

É importante tratar a dor crônica, pois ela pode gerar uma queda na qualidade de vida, desânimo, depressão, irritabilidade, baixa produtividade no trabalho, dentre outros fatores. 

Os principais tratamentos baseiam-se em:

O que os profissionais da saúde devem fazer para amenizar as dores?

Não dá para nós, profissionais da saúde, ficarmos parados e ver mais pessoas sofrerem e serem acometidas com esse mal. Por isso, é hora de dar um grande passo para a prevençãocuidados e orientações no alívio da dor, dar funcionalidade nos movimentos diários e longevidade na qualidade de vida. 

O desenvolvimento do Programa Cuidando de sua Coluna tem como finalidade mostrar a toda sociedade, independente de qual for a classe social que, ao longo de minha vivência e experiência profissional, pude notar que as queixas de doenças degenerativas da coluna vertebral vêm crescendo de forma exorbitante. 

Normalmente a faixa etária mais atingida eram pessoas que apresentavam em torno de 45 anos de idade. Hoje esse cenário vem atingindo indivíduos mais novos como crianças, adolescentes e jovens adultos. 

O objetivo desse Programa também é enfatizar a importância das orientações por Fisioterapeutas, Nutricionistas e Educadores Físicos para o fortalecimento de toda musculatura que envolve a coluna vertebral. 

Por isso é sempre importante ficar atento que o primeiro lugar a ser afetado são os nossos músculos, já que é através desse enfraquecimento que as outras regiões começam a dar sinal de que o nosso corpo está sofrendo problemas físicos. 

Mesmo tendo a consciência de que os músculos abdominais ativados e glúteos bem definidos são bonitos e tragam maior autoestima, ainda devemos praticar exercícios voltados para correções e orientações posturais, que ativem a respiração, além de alongamentos e fortalecimentos de toda a cadeia muscular. 

Todo esse conjunto bem trabalhado irá minimizar o quadro álgico e diminuir o agravamento ou surgimento de novas lesões. 

Portanto, nós, profissionais da área da saúde temos o dever de promover uma vida mais segura, feliz e saudável.

Conclusão

Vejo que o grande desafio do mundo moderno é mostrar às pessoas o quanto é importante os cuidados com as diversas dores que o nosso corpo manifesta, afetando diretamente a vida de milhares de muitos e sendo o maior causador de problemas relacionados à depressão e afastamentos no trabalho

A má postura está presente em diversas atividades que realizamos no dia a dia, como dirigir, trabalhar, recolher objetos ou caminhar, e é preciso estar atento a todas as ações. 

A postura correta faz diferença na prevenção de dores nas costas ou problemas na coluna. Além disso, ter bons hábitos e sem exageros irá colaborar com esse processo para uma saúde de excelência.

Também não podemos esquecer que temos que associar os exercícios como forma de complementação, desde que seja feito de forma correta e com orientações de profissionais qualificados para que não cause nenhum tipo de desconforto posteriormente. 

Todo esse cuidado é de extrema importância para promover uma saúde ampla e completa. Por isso, não deixe de executar os exercícios de forma constante. Seu corpo agradece e evita o agravamento de lesões já existentes e que futuramente possam vir. Uma postura ereta exala muito mais que elegância, potencializa a sua saúde!

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Pilates e Mobilização Miofascial no tratamento da dor lombar crônica

A nossa coluna vertebral é composta por 33 vértebras. As vértebras móveis da nossa coluna são compostas por sete vértebras cervicais, doze torácicas e cinco lombares, enquanto as vértebras imóveis são compostas por cinco vértebras coccígeas e cinco vértebras sacras. Além disso, a coluna possui a função de sustentação, flexibilidade e proteção da medula espinhal; ela também é dividida em quatro curvaturas que te dão força e equilíbrio. Destas curvaturas, são duas curvaturas em convexidade a cervicais e a lombar, formando as lordose, e as curvaturas cifóticas presente na torácica e na sacrococcígea.

 Porém, a região da coluna que finaliza uma curvatura e inicia a outra geralmente é a mais móvel e mais suscetível à lesão. Logo, estas regiões compreendem a cervicotorácica, toracolombar e lombossacral da coluna. Além disso, quando essas curvas são acentuadas, elas possuem mais mobilidade, contudo, apresentam mais risco de lesão. Sendo assim, o contrário também é verdadeiro; na retificação as curvaturas tornam-se mais rígidas e também podem ser suscetíveis a lesões. Então, tanto a hipomobilidade quanto a hipermobilidade são disfunções susceptíveis a lesão.

A coluna lombar 

A coluna lombar é composta por cinco vértebras, as quais vão de L1-L5, logo, este é o segmento inferior da coluna que no plano sagital podemos verificar uma lordose, que é a curvatura da coluna lombar. As vértebras lombares possuem uma característica anatômica própria. Assim, estas vértebras possuem corpos vertebrais grandes e reniformes, forames vertebrais triangulares, pedículos e lâminas curtas e espessas. Além disso, as facetas superiores das vértebras são côncavas, voltadas para póstero-medial, enquanto as facetas inferiores são convexas voltadas para a anterolateral. Dessa forma, essas características anatômicas das vértebras lombares fazem com que essa região suporte mais cargas. 

A amplitude de movimento da região lombar é ampla em flexo-extensão variando de 8 a 20° nos vários níveis vertebrais. Ela é capaz de realizar flexão lateral de 3° a 6° graus e 1 a 2° graus de rotação. No movimento de flexão ocorre um deslizamento da região superior de uma vértebra sobre a outra ocasionando tensão nos ligamentos longitudinais posteriores e inter e supraespinhosos. Também, a força de compressão gerada por uma flexão prolongada da coluna lombar faz com que o núcleo pulposo migre para trás podendo ocasionar herniações, prolapsos e, consequentemente, dor.

Porém, quando ocorre a extensão da lombar, ocorre também a extensão do quadril, com alongamento dos músculos flexores de quadril e ligamentos capsulares. Em indivíduos com hiperlordose lombar (aumento da curvatura lordótica), durante esse movimento de extensão ocorre um aumento de contato das facetas articulares, o que gera mais pressão e compressão no ligamento interespinhoso, gerando dor lombar.

A articulação da lombar

A articulação lombossacral é uma junção importantíssima para promoção dos movimentos inerentes a essa região. Esta articulação é o mais móvel nesta região responsável por grande proporção de flexo-extensão. Além disso, nessa articulação pode ocorrer 75° de flexão e extensão, 20 graus restantes de L4-L5 e 5% nos outros níveis. Já na flexão de tronco, a atividade máxima lombar se dá nos 50 a 60 graus de flexão, após esse período ocorre a retificação das lombares e a rotação pélvica predomina na execução do movimento. Portanto, ao tratar um paciente, o terapeuta deve estar atento ao processo de avaliação e entender a disfunção e todas as interconexões desse corpo. São os desequilíbrios nesses sistemas que geram dor lombar, a qual vem acometendo cada vez mais a população.

Sobre dor lombar crônica

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Dor lombar crônica é uma disfunção incapacitante que vem gerando impactos na sociedade, uma vez que sabe-se que esta dor atinge cerca de 80% das pessoas em algum momento da vida. Além disso, a dor lombar acomete indivíduos geralmente na fase de vida produtiva, o que também gera grandes impactos sociais; dor lombar é a principal causa de incapacidade em indivíduos com idade entre 45 a 60 anos. A prevalência mundialmente deste tipo de dor chega a atingir cerca de 15% a 45% da população. Em 2007, esta foi a principal causa no Brasil de aposentadorias por invalidez. 

A lombalgia, ou dor lombar, é definida como dor ou desconforto abaixo do rebordo costal e acima da linha glútea superior, podendo ou não haver desconforto irradiado para membros inferiores. Caracterizada por dor que perdura por mais de três meses, a contar pelo primeiro episódio de dor aguda e pela gradativa instalação da incapacidade, muitas vezes a dor lombar pode ter início impreciso, variando com quadros de melhora e piora.

Etiologia multifatorial da Dor Lombar

A dor lombar possui etiologia multifatorial o que torna mais complexo o processo de avaliação e compreensão dos mecanismos da disfunção naquele corpo. Alguns fatores são predisponentes a dor lombar, dentre eles listamos os fatores musculoesqueléticos, como: desequilíbrios musculares, pontos de gatilhos, alterações nos discos intervertebrais, alterações na mobilidade e estabilidade, entre outros. Atualmente, se discute a dor lombar não só como resposta de uma disfunção musculoesquelética, mas também como resposta a alterações emocionais e psíquicas do indivíduo que, correlacionadas com o físico, gera repercussões e desequilíbrio entre corpo e mente.

Segundo Maia, 2015, a etiologia da dor lombar é multifatorial, composta por aspectos físicos, sociais, emocionais e psíquicos associados ao desencadeamento da dor. Embora ainda exista discordância entre pesquisadores quanto a evidência científica da etiologia da dor lombar, muitos estudos também atribuem o evento da dor a alguns fatores, tais como: sedentarismo, traumas, doenças degenerativas na coluna, disfunções viscerais, trabalho repetitivo, tumores, desequilíbrios musculares; em geral disfunções no sistema passivo (articulações, ligamentos e vértebras), ativo (músculos e tendões) e sistema neural (nervos e SNC). 

Incidência e sintomas da dor lombar crônica

A dor lombar crônica inespecífica é a mais comum, definida como dor e disfunção persistente por mais de três meses sem causa clara. Este tipo de quadro corresponde a cerca de 80 a 90% dos casos. Este tipo de dor apresenta características de alterações principalmente nos subsistemas ativo (composto por músculos, tendões, fáscia, estruturas da região ventral e dorsal do tronco) e neural. Logo, tais sistemas são responsáveis por promover estabilidade tanto em condições estáticas como dinâmicas.

Os sintomas mais comuns de dor lombar crônica relatados pelos pacientes são: dor pontual ou irradiada quando ocorre compressão neural, cansaço, rigidez muscular, alteração respiratória, dor de cabeça, vista cansada, má digestão. 

Tratamento da dor lombar crônica

O tratamento da dor lombar crônica com programas de exercícios traz resultados satisfatórios na redução da dor. Estudos comprovam que mecanismos de força, flexibilidade e mobilidade resgatam a função do indivíduo além de tratar a sua dor. Assim, alguns exercícios físicos surgem como uma estratégia de tratamento segura e eficaz para o tratamento de dores oriundas das disfunções da coluna vertebral.  

Muitas pesquisas trazem a estabilização segmentar como tratamento eficaz da dor lombar. Entretanto, o mecanismo de tratamento da dor lombar crônica não é apenas estabilização segmentar; esse mecanismo é muito mais complexo e ainda obscuro para a ciência. Sabemos que vários aspectos estão associados a essa disfunção. Porém, ainda atrelado aos aspectos físicos inerentes ao movimento, devemos levar em conta a integração dos sistemas. Assim, para entender os sistemas físicos, devemos compreender a fáscia, esse sistema de conexão que envolve músculos, tendões, vísceras e é tão importante na estabilidade, na conexão de estruturas e no movimento humano.

Pilates no tratamento da dor lombar crônica

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O Pilates tem sido bastante utilizado no tratamento da dor lombar, mostrando bons resultados, sendo assim uma estratégia bem sucedida de tratamento. De acordo com Machado, 2020, o Pilates é um recurso fisioterapêutico, que deve ser utilizado para prevenir lesões e tratar dores crônicas. Esta prática consiste na realização de exercícios físicos, que utiliza a gravidade, e recursos mecanoterapêuticos como as molas, que atuam como resistência durante a execução do movimento ou auxílio do movimento. O objetivo do Pilates é trabalhar sempre a flexibilidade geral do corpo, a força muscular, a postura e a coordenação da respiração com o movimento, portanto considerado fatores indispensáveis no trabalho da reabilitação postural.

Segundo Silva e Marinnch (2009), o Pilates é um instrumento eficaz para o fisioterapeuta no manejo da dor lombar crônica, diminuindo dor e incapacidade.Este exercício é uma das formas mais eficazes para esta disfunção, tanto a longo quanto em curto prazo. 

A Mobilização Miofascial no tratamento da dor lombar crônica

A mobilização miofascial também deve ser inserida no tratamento de dores lombares crônicas. Porém, neste tipo de tratamento, é necessário estar atento à fáscia toracolombar. A fáscia toracolombar é um complexo profundo de várias camadas aponeuróticas, formada por tecido conjuntivo denso e irregular, que detém a função de transmitir parte da força de contração muscular e fornecer resistência à tração. Já a aponeurose toracolombar é uma banda de fibras conectivas regulares e se estende da região torácica até o sacro. Este sistema pode conter resistências mecânicas e uma grande capacidade de armazenamento de energia, além de auxiliar na resistência do movimento de flexão da coluna e rotação lateral.

Portanto, quando ocorre a densificação fascial, é de suma importância o estímulo à mobilização miofascial e ao movimento, uma vez que esses estímulos podem promover a diminuição do quadro álgico. Dessa forma, a mobilização miofascial pode influenciar no deslizamento, distribuição de força, diminuição de processo inflamatório, melhorando a conexão e a correlação de sistemas e gerar um movimento mais fluido e, consequentemente, melhorar a capacidade funcional. O estímulo miofascial deve estimular a vetorialidade, a percepção de direções de movimentos diferentes, dando diversos estímulos em todos os planos de movimento.

As mobilizações miofasciais quando associadas ao Pilates podem promover excelentes resultados no tratamento da dor lombar crônica. Os exercícios com enfoque no sistema fascial podem ser executados no início, durante ou no final da aula. Dessa maneira, para este tipo de exercício podem ser utilizados o solo, acessórios como o foam roller ou os próprios equipamentos do Pilates.  

Conclusão

Portanto, sabe-se que a dor lombar crônica é uma condição bastante complexa e deve ser avaliada sistematicamente e com enfoque biopsicossocial. Além disso, estudos comprovam a importância do tratamento da dor lombar crônica através do movimento, dando estímulos a esse corpo voltados à necessidade individual de cada aluno. Compreender a integração do sistema neural, fascial e musculoesquelético é vital para elencar condutas mais assertivas, e promover a interação e restauração do equilíbrio entre eles. Logo, o método Pilates tem sido amplamente utilizado no tratamento de dores crônicas e permite agregar estímulos miofasciais durante as suas sessões.

Texto escrito por Emanuelle Lacerda- Fisioterapeuta, pós graduada em Fisioterapia neurofuncional, doutoranda em saúde pública, docente de cursos de graduação e pós graduação. Formação em Pilates clássico e contemporâneo.

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Mindset para Saúde e Condicionamento

Olá, pessoal! Luiz Dib aqui, sou Mestre em Educação Física prestes a concluir meu Doutorado e me apresento assim para esclarecer que minha atuação profissional extrapolou o conhecimento acerca das técnicas de treinamento, periodização, populações especiais, etc.

Nesta matéria nós vamos conhecer um pouco mais sobre o mindset para manter saúde e condicionamento caminhando juntos, dando mais qualidade de vida aos nossos pacientes e alunos. Continue lendo!

Aspectos emocionais

Desde a graduação me ocupo em compreender aspectos emocionais relacionados ao exercício. Como assim?

Sim, todos temos uma “emoção” para qualquer coisa que fazemos em nossa vida e a relação emocional que, em geral, as pessoas têm com o exercício é o principal fator de explicação do alto número de sedentários ao redor do mundo (mais da metade da população).

Portanto, a Educação Física precisa começar a olhar para o fenômeno “atividade física” e “exercício”, primeiro, como um comportamento e não apenas como um meio para alcançar um objetivo, seja ele relacionado à saúde e condicionamento, estética ou desempenho. Segundo, como algo que gera emoção (segundo a neurociência, emoção é definida como uma alteração fisiológica que pode ou não ser percebida conscientemente).

Vamos lá, para tudo… TUDO, temos uma fisiologia (rede neural, neurotransmissores e hormônios) específica para cada evento que ocorre em nosso dia a dia. Por exemplo, quando você vê uma pessoa que você não gosta, seu organismo, independentemente da sua vontade, libera neurotransmissores e hormônios que fazem você se sentir de um modo específico em relação àquela pessoa. O mesmo vale para pessoas ou coisas que você gosta.

Em relação ao exercício, a vasta maioria tem uma relação emocional negativa, o que explica porque a maioria das pessoas sabe e é consciente da importância do exercício, mas continua sedentária. Existe uma diferença entre ser conscientizado para algo e ser sensibilizado para algo.

Esse é o ponto fundamental, não adianta mais conscientizar. Todos já sabem que o exercício é importante, não adianta tentar convencer um cliente de que, apesar dele não gostar (relação emocional), vai ser bom para ele, possibilitando que ele ganhe massa muscular, reduza gordura, melhore a saúde e condicionamento, autoestima.

Tudo isso é bem recebido pelo consciente, mas esbarra no consciente, o inconsciente processa as informações de um jeito completamente diferente do consciente.

Para entender bem isso, reflita: quantos clientes já começaram e desistiram? Quantas vezes você já iniciou um treinamento e desistiu? Provavelmente você sabe de um cardiologista que fuma, um nutricionista que não faz dieta… Mais uma vez ser consciente NÃO basta.

Sobre o inconsciente, ele é capaz de processar uma quantidade de dados tão absurda que o maior supercomputador do mundo leva 40 minutos para processar 1% da informação que nosso encéfalo processa em 1 segundo.

Seu inconsciente está no momento presente o tempo todo, controlando sua pressão arterial, sua frequência cardíaca, estímulos de fome e sede, as musculaturas necessárias para permanecer em pé ou sentado.

Quando algo está diferente no ambiente, antes de você perceber conscientemente algo que possa te ameaçar, o inconsciente já está preparando sua fisiologia para lutar ou fugir. O que isso tem a ver? Quando seu cliente começa a treinar e no outro dia sente toda aquela dor tardia que muitas vezes o acompanha por uma, duas semanas, conscientemente ele entende que “tudo bem, é assim mesmo, vai passar, depois que condicionar não vou sentir mais tanta dor assim”, porém o inconsciente já registrou todos os afetos negativos daquela ação. Ao registrar esse afeto, nosso inconsciente vai formando uma fisiologia específica para esse comportamento e essa fisiologia não é motivadora, pelo contrário ela leva à procrastinação.

Esse afeto negativo em relação ao exercício ocorre porque, para o inconsciente, o exercício é contra intuitivo, para o inconsciente, sair correndo, saltar, escalar, só tem sentido se você precisa sobreviver através desse esforço físico. Há milhões de anos atrás, se você não corresse, seria devorado, se não caminhasse de 20 a 30 km por dia, não encontraria comida ou abrigo, eram ameaças agudas, iminentes.

Acontece que hoje temos um teto sobre nossa cabeça, comida farta e nosso inconsciente não percebe o ambiente como uma ameaça. E como ele é especialista em estar no momento presente, não consegue dimensionar o problema crônico relacionado ao sedentarismo.

Agora faz sentido, né? Portanto, quando ele calcula que você tem tudo o que precisa para sobreviver ele não envia a fisiologia que vai te motivar a se exercitar e mais, quando você pensa em exercício, a fisiologia que em geral está pronta é uma fisiologia que vai trazer para o seu consciente a percepção de que você não tem tempo, ou que está muito cansado (a). Não é você mentindo para você mesmo e para os outros, é a percepção que se forma e modula sua realidade em relação a esse comportamento.

Pode parecer que estamos em uma luta que já começa perdida, certo? Essa tem sido a realidade até o momento, pois a população é, em sua maioria, sedentária e as principais causas de morte no mundo são diretamente afetadas por esse comportamento. Porém, com os conhecimentos recentes da neurociência em relação aos afetos e comportamentos temos também novas ferramentas que não podemos negligenciar.

Questões sobre o mindset para saúde e condicionamento

Então vamos lá!

Iniciaremos uma série que vai abordar questões sobre a mentalidade adequada para manter você e seu cliente no caminho da saúde e condicionamento de modo consistente e definitivo. Todos os princípios que vou abordar são suportados pela neurociência do comportamento humano e são parte de todo o conhecimento que acumulei na formulação de minha tese de Doutorado.

Parte 1 – Porque a maioria dos programas de emagrecimento e condicionamento falham?

Quantas vezes já viu isso acontecer? Quantas pessoas conhece que pagam por pacotes de 3, 6 meses ou até um ano e não passam de algumas semanas?

À partir da perspectiva neurocientífica comportamental, isso acontece pois as pessoas depositam suas esperanças em sentimentos momentâneos, aquela empolgação que bate, “agora vai” e, em cima dessa empolgação, agem por impulso.

Essa empolgação pode surgir por vários gatilhos e isso vai variar de pessoa para pessoa. Algumas pessoas são motivadas por:

  • Inveja: um amigo (a) que começou a treinar e está tendo bons resultados;
  • Vaidade: a pessoa conhece alguém a quem quer impressionar ou simplesmente quer se sentir melhor com seu corpo, ter mais saúde e condicionamento.

Enfim, são vários os gatilhos que podem trazer essa motivação para o primeiro passo, mas é aqui que temos nossa primeira questão a ser pontuada: esse gatilho serve muito bem para um primeiro passo, mas é só.

Quando a empolgação passa, e vai passar, tendemos a voltar aos nossos comportamentos e anseios registrados no nosso inconsciente.

Explicando melhor

Nosso encéfalo foi formatado para buscar conforto, por isso, em geral, precisamos de algo que nos motive para iniciarmos a prática de exercícios, algo que saia do padrão e que mostre para nossa fisiologia que existe vantagem em iniciar uma atividade como essa. Porém, como nosso encéfalo busca por conforto e tranquilidade, também possui um sofisticado sistema de memória baseado em afeto, ou seja, tudo o que acontece com você em todas as situações da sua vida, passam a ser registradas e esse registro vem com um conteúdo emocional atrelado.

Por exemplo, quando começa a tocar uma música no rádio e você automaticamente lembra de uma época bem específica da sua vida. O afeto atrelado à essa música foi capaz de te transportar para um momento muito específico onde você se recorda das pessoas, dos sons e cheiros daquele momento. Assim também é para nossos comportamentos, nossos hábitos.

Portanto, quando um comportamento é alterado por um momento de empolgação, ele não tem a garantia de continuidade porque o afeto (memória emocional relacionada a aquele comportamento) é diferente e continua o mesmo.

Sendo assim, a tendência é que voltemos aos antigos comportamentos antes desse novo comportamento alterar esse afeto inconsciente que temos em relação ao exercício.

Sigamos por essa cronologia:

  1.   A pessoa se faz consciente da importância do exercício, mas isso não a motiva;
  2.   Já com a consciência da importância, vê uma propaganda sobre as férias de verão que acende uma luz. Nesse momento ocorreu uma alteração da fisiologia em relação ao comportamento exercício (vamos lembrar que para cada um o gatilho emocional é diferente);
  3.   Consciência e desejo de estar bem para as férias de verão pode ser o elemento motivador e fazer com que essa pessoa queira começar imediatamente. Essa sensação de urgência é a mesma de quando acreditamos estar precisando de um determinado produto, uma peça de roupa, por exemplo. A crença de que precisamos tanto daquilo vai alimentando nosso desejo até que saímos dessa contemplação para concretizar a compra do objeto desejado. A grande diferença é que exercício não é algo que você compra, veste e sai feliz com o resultado imediato, mas a relação de desejo e urgência é a mesma
  4.   Nos primeiros dias, tudo vai bem, é empolgante, é novo (de novo) e agora parece que vai se tornar um atleta, porém, nosso imediatismo faz com que nossa atenção se volte para a constatação de que os encantos daquela “novidade” vai se esvaindo à medida que os resultados que imaginamos não estejam tão evidentes ou mais lentos do que esperávamos.
  5.   A empolgação começa a diminuir e o afeto negativo em relação ao exercício, que já existia, pode estar se reforçando ainda mais. Nesse momento é comum que as reclamações comecem a surgir: “Ah! No começo o pessoal da academia dava mais atenção e eu estava tendo resultado, agora deixam a gente solto” ou “estava indo bem, mas estou com uma dorzinha na lombar… essa semana não fui treinar”.
  6.   Desistência é o fim da empolgação somado ao reforço dos fatores que construíram os afetos negativos em relação ao exercício (dor muscular tardia excessiva, suor, “tempo perdido”, resultados que demoram, dinheiro gasto. Metade das pessoas que desistem, abandonam entre o terceiro e o quinto mês de treino.

Conclusão

Entendendo melhor os afetos que ajudam a nos fazer desistir e como saúde e condicionamento andam juntos, fica mais fácil conversarmos sobre o próximo tópico: Motivação + Determinação. Aqui vamos entender o quanto de determinação devemos ter para não “assustar” nosso inconsciente e evitar que ele nos motive a sair correndo da academia para o sofá. Até lá!